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Depressão e Musicoterapia

A depressão atinge mais de 350 milhões de pessoas no mundo, conforme a Organização Mundial de Saúde [OMS]. A OMS define a depressão como um transtorno mental, caracterizado por tristeza, com a perda de interesse, com a ausência de prazer, expressando oscilações entre os sentimentos de baixa autoestima e culpa e, com efeito, distúrbios do sono e do apetite. A sensação de cansaço e falta de concentração podem fazer parte deste quadro. A depressão pode ganhar uma forma recorrente ou de longa duração.

Nas formas mais graves podendo levar ao suicídio. A terapia medicamentosa se faz necessária em casos moderados e graves com o acompanhamento de um psiquiatra. A recomendação é a de que o quanto mais cedo começar o tratamento, os resultados são mais eficazes. A depressão pode ter fatores diferenciados, tais como questões sociais, questões psíquicas e biológicas. A correlação entre estes fatores pode ser encontrada nestes casos.

Reunião: ABRAz Indaiatuba, 11/03/19
Com a  Terapeuta Ocupacional:
Cristiane Luiz e o Músico: Flávio Lima.
Tema:” Como os sons estimulam a memória”
Com boa música e muito bom humor…

Ao longo dos 30 anos como Musicoterapeuta, com formação na Abordagem Gestálticam, em filosofia e em práticas corporais orientais, acompanhei e acompanho o fenômeno da depressão em muitas pessoas. A desilusão, a perda de sentido na vida, a descrença em si e nos outros, a perda do apetite de viver, a perda da energia para dar movimento à vida, a perda do apetite sexual, a diminuição dos interesses, a vida sem novos horizontes, podem fazer parte desta experiência.

 

O trabalho clínico em Musicoterapia, associado à Abordagem Gestáltica e às práticas corporais orientais tem sido uma das formas de contribuir com a construção de novos sentidos de vida para as pessoas que sofrem de depressão. Muitas delas chegando encaminhadas por um médico, orientadas ao uso da terapia medicamentosa, ganham, de pouco a pouco, a compreensão de que o fenômeno da depressão é multifatorial e que, também, tem as suas relações com as formas de viver a vida.

A música já era utilizada como terapia há mais de 2.500 anos atrás na Grécia Antiga. Os efeitos terapêuticos da música são reconhecidos por inúmeras pesquisas e seus efeitos na subjetividade e no organismo produzem novas configurações nos modos de sentir, pensar e agir daqueles que passam por este processo.

Conforme o biólogo Jacob Von Uexkül a vida é feita por contrapontos. A vida segue os princípios da música. Assim ele nos fala que “se não houvesse nada da abelha na flor e nada da flor na abelha, o acorde não se faria”. A vida é feita a partir do método musical dos contrapontos. O olhar de uma pessoa que toca uma outra pessoa pode ter força de afeto [força de afecção], ou seja, ela pode aumentar ou diminuir a vitalidade de uma ou da outra, produzindo-se tristeza ou alegria. Conhecer as formas de como a vida nos toca será seguir a metodologia dos contrapontos.

Foi a partir desta perspectiva que compus ao longo destes anos os Mapas Afetivos em Musicoterapia [Cartografia Afetiva em Musicoterapia], tendo como fundamento a filosofia de Spinoza e de Deleuze & Guattari.

A música dá movimentos às nossas formas de sentir. A música é o puro movimento do devir e que transforma as nossas formas de fazer contato conosco, com a nossa imaginação, com as sensações. O desenvolvimento de uma consciência corporal através da música produz a condição de ‘aprendermos a voltar para casa’, como gosto de dizer aos pacientes. É uma forma de sairmos das imagens que sobrevém à mente. Estas imagens do passado ou do futuro passam a dominar a vida. O desenvolvimento de habitar o corpo, senti-lo, de entrar em contato com os movimentos da música, é uma das possibilidades de poder ampliar a consciência de si, ampliar o conhecimento da história que nos habita sob forma de sensações, sentimentos e afetos.

A nossa história é feita por histórias afetivas das quais podemos associá-las e compreendê-las a partir de um espaço estético, um espaço sensível onde a arte, a filosofia e a clínica se conjugam para a produção de novos sentidos de vida! A vida ganha novos apetites, ela passa a ganhar novos sentidos. Aquilo que era vazio se torna o afeto de ‘mais uma vez’ dar novos movimentos, reinventar-se para sentir a vida em sua plenitude!

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